SIN: A Backstage é emblemática. O veículo surgiu da necessidade do cenário de produção musical e áudio ter uma fonte de qualidade no assunto?

NC: A revista Backstage surgiu em julho de 1994, junto com o plano Real, como resposta a um mercado iniciante, mas cheio de possibilidades. Uma publicação com uma linha editorial técnica numa linguagem mais acessível. Ela foi fruto da minha vivência no segmento de produção musical, principalmente na Editora Diagrama (revistas Roll, Metal e Mix) , na Rádio Fluminense e nos quatro anos da filha e prima revista Música e Tecnologia.

SIN: A internet mudou a maneira como é consumida a notícia, e desde 2019 a Backstage passou a ser exclusivamente online. Houve um impacto negativo nessa migração, ou o on-line continua cativando o público que sempre foi leitor da revista?

NC: A mais de uma década que a distribuição de conteúdo vinha migrando para o digital, e esse foi um fenômeno mundial. Todo os modelos do negócio da mídia “analógica” estavam cristalizados e centralizados a mais de um século. O digital causou uma profunda ruptura em todos os elos do nosso negócio. De repente todos se tornaram fornecedores de conteúdo gratuito, numa mídia, basicamente, grátis. Sabíamos que estávamos lutando por uma sobrevida com pouquíssimo tempo. A migração do impresso para o on-line era inevitável. No ano passado, junto com a pandemia e a crise econômica, fomos obrigados a migrar de para o digital. Nunca, para nós,  a expressão morrer para renascer foi tão real. Um ano e meio após, ainda estamos aprendendo a gerar e distribuir informação confiável, independente e com credibilidade no on-line e suas redes sociais. Perdemos leitores e estamos ganhando leitores. Acredito que estamos nos adaptando aos novos leitores e estes a nós. Um aprendizado mutuo que traz o passado para o futuro.

SIN: De equipamentos de shows internacionais consagrados a sistemas de isolamento acústicos de igreja, qual matéria que até hoje você comenta quando está entre amigos e não sai da cabeça?

NC: Nas 297 edições impressas, muitas matérias ficam vivas na memória por diversos motivos. Algumas pelos furos de reportagem (primeira matéria, em Português sobre mesas digitais, chegada da primeira RIVAGE, etc). A edição especial sobre a sonorização e iluminação do Rock in Rio, a estreia do sistema VDosc, a matéria sobre o complexo de Lagoinha e o show da banda Gospel Diante do Trono, Cobertura do Bumba meu Boi em Parintins e entrevistas fantásticas. Sinto um orgulho especial em ter apoiado incondicionalmente os eventos: Fest Valda, Rio das Ostras Festival de Jazz e Festa Nacional da Música. Eventos fundamentais para a música.

SIN: Como foi ser homenageado pela Festa Nacional da Música e ter o reconhecimento em levar informação especializada e de qualidade sobre os bastidores do show business?

NC: Receber um prêmio pela sua atividade profissional e sempre gratificante, principalmente quando você esta junto com a nata da produção musical no Brasil. Mas todo prêmio gera um compromisso ainda maior com a suas atividades. Encaro os prêmios como um incentivo a melhora do ser humano com a sua profissão. Recebi o prêmio da Festa Nacional da Música pela minha obra dedicada a produção musical.

SIN: Fale um pouco sobre o engajamento do público com a revista nas redes sociais.

NC: Como já disse, estamos apreendendo. Acredito que estamos evoluindo devido a solidez dos nossos compromissos com a informação séria, verdadeira e independente. Nestes momentos em que a verdade depende das narrativas ideológicas, vamos continuar com o foco na nossa linha editorial que começou a 30 anos. E é com esse legado que vamos continuar a crescer com o engajamento dos leitores que se preocupam com a sua atividade profissional.

Por Cláudio Hollanda

Links da revista Backstage na internet:
www.revistabackstage.com.br/home
www.instagram.com/revistabackstage/
twitter.com/BackstageBr
www.youtube.com/c/RevistaBackstage/