Compositor, vocalista e instrumentista, Igor Rosa é um profissional multifacetado, que desde 1995 entregou seu coração e competência ao universo musical. Com passagens por bandas do underground carioca, produção fonográfica e uma carreira repleta de shows, festivais e concursos, ele reencontrou na Maria Alzira o porto-seguro que conhecia de outras épocas.

Com novidades da banda chegando por aí, batemos um papo com Igor, que você confere abaixo.

SR: Como descreveria a música que normalmente compõe e qual seu processo criativo?

IR: Em linha gerais é a boa e velha música alternativa, que abrange questões do cotidiano, coisas da alma e do pensamento humano. Busco traduzir como vive a humanidade, seja com nossa irreverência característica ou de uma maneira crítica-construtiva para que as pessoas mudem ou tomem uma atitude positiva em suas vidas. Mesmo que seja inegável que minha base é o rock alternativo, não deixo isso me limitar e passeio por vários ritmos – isso abre um leque enorme de artistas e bandas que me inspiraram durante a vida.

Quando o assunto é o processo criativo, ele é contínuo, inusitado e variado. Já aconteceu de no meio da madrugada despertar e ter uma letra e melodia prontas na cabeça. Aí, abro meu programa de produção favorito e já começo a gravar esboços, para posteriormente compartilhar com o pessoal. Muitas vezes ainda deixo aquela recente criação armazenada, uso pessoalmente ou mesmo com bandas que trabalho. A grande verdade é que encaro 24h do dia como parte do processo criativo, já que uma ideia pode surgir de uma notícia, uma piada, que começam a trilhar o caminho de uma letra, um novo acorde ou um riff diferenciado. No final, tudo é aproveitado da melhor maneira.

SR: Como você acha que a internet tem afetado o negócio da música?

IR: A internet tem sido bem interessante e peculiar quando olhamos sua relação com o mercado musical. Como território democrático, ela dá infinitas oportunidades para um sem fim de pessoas exercer sua profissão e por que não, paixão. É claro que não podemos fechar os olhos para seu lado negativo, já que pela facilidade que nos proporciona, muita coisa de baixa qualidade, ruim mesmo, aparece cada vez mais. Não que isso nunca tenha havido, afinal, a mediocridade musical puramente comercial e voltada para nichos específicos existe desde o início dos tempos, o que mudou foi a ferramenta, alcance e velocidade com que isso acontece por meio da internet.

Mas, um alerta que é preciso fazer. Mesmo com toda essa facilidade e maior autonomia, o sucesso não está garantido, seja para artistas já consagrados com novos trabalhos, como iniciantes e alternativos. Não adianta ter um ótimo meio de divulgação, com um material irrisório.

SR: Descreva seu pior desempenho e o que aprendeu com essa experiência.

IR: Mais que um pior desempenho, acho que a melhor resposta para esse questionamento seja abordar meu pior erro. Nesse quesito, não ter buscado conhecimento para saber como comercializar minha música de forma correta me assombrou durante muito tempo. Em contrapartida, meu descaso inicial fez com que eu conhecesse pessoas, quebrasse a cabeça e me interessasse por estudar e ir atrás de informação de qualidade. Não posso dizer que já sei tudo, mas progredi em todos os sentidos. Acredito que grandes coisas estão por vir e isso é bom demais.

Agora, falando especificamente sobre meu pior desempenho, foi quando tentei por conta própria publicar algumas músicas. Sem divulgação, estratégia de lançamento ou qualquer coisa do tipo, grandes composições se perderam num mundaréu de outras novidades. Outro aprendizado que tive: é primordial ter uma produção, divulgação e assessoria comandando tudo isso, dando ao seu trabalho o valor que ele tem. A verdade é que existem vários caminhos e estratégias para mostrarmos a que viemos no mundo da música, até mesmo os famosos memes que circulam mundo afora.

SR: Que conselho você daria aos músicos iniciantes que estão chegando à Sinfonica?

IR: Confiar no trabalho. A Sinfonica tem uma intenção genuína em dar apoio ao artista e ensiná-lo como seguir no caminho certo para alcançar seus objetivos. E falo isso como artista que sou. Nunca havia sido tão bem acolhido e nem mesmo presenciado a verdadeira construção de um artista.

A Sinfonica acredita no potencial das pessoas e por ser composta por profissionais que não só entendem de todo universo musical, mas que fazem disso parte de sua vida, dá o seu melhor para quem quer se destacar, abraçando como missão uma reviravolta positiva no cenário musical, onde não se priorize um estilo em detrimento do outro, mas que se faça bom e alto som em todas as suas vertentes.

SR: O que vem a seguir para o Maria Alzira?

IR: Esse é um momento extremamente significativo para a Maria Alzira, que desde 2016 está fora do mercado musical. Estamos retornando com uma nova formação, novo videoclipe e novo álbum, que será lançado até o final de janeiro. Posso garantir que passamos por uma reformulação 3600, tanto de ideias, como de expertise, e agora para nós, referenciando o extinto programa de televisão brasileiro produzido e exibido pela TV Tupi, “o céu é o limite”.

Nesse céu que almejamos atingir, além das novidades para janeiro, temos a remasterização já concluída de nosso primeiro CD, além do “Ao Vivo” do icônico show realizado em 2013, anteriormente disponível apenas no YouTube e agora nos principais serviços de streaming. E tem muito mais – de músicas inéditas criadas no hiato da banda em projetos paralelos a composições engavetadas, mas que merecem ser levadas a público.

Foram 2 anos de muitos encontros, ensaios, produção fonográfica, ajustes e por que não, burocracia, para um retorno triunfal. Agora, na parceria com a Sinfônica Records, estamos iniciando esse novo ciclo, prontos para enfrentar o mercado, abraçar antigos e novos fãs e seguir fazendo boa música nacional. Que venham as turnês e tudo de bom que nosso trabalho possa criar. É Maria Alzira como nunca se viu.